Na sequência do post anterior, cumpre falar um pouco sobre o "como".
Antes de mais, devo dizer que sou contra as "dietas de...", bem como, contra os "métodos" A, B ou C. Quanto a mim, quando se trata de fazer mudanças relevantes, a resposta está em fazer a análise do nosso estilo de vida e identificar o que gostavamos de mudar e o que queremos efectivamente mudar. Se a mudança reflectir uma opção por um estilo de vida mais natural, verde e saudável, muito melhor, porque os quilos são só uma (muito) pequena parte da questão.
De nada serve fazer uma alimentação muito restritiva, com muito sacrifício, durante algum tempo, para depois desistir dela (porque era insuportável) e voltar ao padrão anterior. O mesmo serve para o exercício. Para quê andarmos a matar-nos nas máquinas do ginásio, se isso não nos agrada nada, para deixar de pôr lá os pés, passados quinze dias. Alguém acredita que consegue manter um sacrifício por tempo indefinido?
Posto isto, para mim (reforço), a resposta está em encontrar aquilo que, indo ao encontro do que queremos conseguir, nos dá prazer e está de acordo com a nossa natureza, porque se não for assim, pessoalmente, acho que não vale a pena (desde que não estejamos a falar de questões de saúde mas isso é outro departamento).
É claro que mudar hábitos arreigados, mesmo que pequenos, implica sempre algum esforço e, se o objectivo é mantê-los, necessariamente impõe um compromisso. Logo, penso que o propósito será o de integrar na nossa rotina novos comportamentos, a que sejamos capazes de nos habituar e que estejam de acordo com aquilo que queremos para a nossa vida, a longo prazo.
No meu caso, os ginásios sempre me deram preguiça. Verdade deja dita, depois de começar o exercício, ele dava-me gozo. No entanto, aquela rotina de ter de IR até ao ginásio, trocar de roupa, fazer um circuito pré-determinado, tomar duche num balneário mais ou menos público, voltar a vestir a mesma roupa, fazer o percurso inverso... Pura e simplesmente, sempre me deu preguiça e sempre me pareceu artificial, forçado. Acho que o ideal é ter uma vida activa, em vez de ter uma hora de ginástica arrasadora, para compensar um dia inteiro (ou vários) de sedentarismo absoluto.
Por outro lado, eu adoro estar na rua, andar a pé, de bicicleta... Passear com companhia ou simplesmente caminhar sozinha, mais depressa ou mais devagar, conforme o estado de espírito. Mas, não sei porquê, tinha perdido o hábito de o fazer com regularidade. Quase sem me aperceber, fui-me tornando muito dependente do carro, logo eu que só comecei a conduzir já depois de ter terminado a faculdade, embora tivesse tirado a carta com dezoito anos, apenas porque sempre achei os transportes públicos muito mais práticos (já que se pode ler, por exemplo).
Essa foi, então, uma mudança evidente, começar a andar mais a pé, fazer compras a pé, ir à escola do miúdo a pé, etc., etc. E que prazer me dão essas caminhadas! Acho que é, evidentemente, uma mudança para melhor, a todos os níveis.
Quanto à alimentação, penso que é irrealista querer erradicar da nossa alimentação aqueles alimentos que, sabendo que não são os mais saudáveis, nos dão muito prazer. O prazer também é uma parte importante da vida! Portanto, para mim, o melhor foi tentar comer o melhor possível no dia-a-dia, para poder fazer umas malandrices, de vez em quando, sem maiores consequências.
Eis as mudanças que fiz: comer sempre primeiro as coisas que o meu corpo precisa, tais como os vegetais (com primazia pelos crús), frutas, cereais completos, tubérculos (ex.: batatas), leguminosas, carne, peixe e lácteos (estes três últimos em menor quantidade); beber muitos líquidos, principalmente àgua (tendo o cuidado de andar sempre com uma garrafa à mão); deixar a fruta para os intervalos das refeições principais, abdicando do pão em alguns lanches (mas sem o eliminar da minha dieta); não passar períodos grandes sem comer (tendo o cuidado de andar sempre com uma peça de fruta, alguns frutos secos ou pão comigo); dar sempre preferência aos alimentos não processados, bem como aos alimentos inteiros (integrais, lácteos não magros); preferir os doces naturais (fruta ou frutos secos) aos artificiais (açucarados); não recorrer aos light ou magros; não eliminar por completo nenhum alimento; diminuir as quantidades (porque eu tinha-me habituado a comer quantidades exageradas); deixar os excessos para as ocasiões especiais, sendo certo que o conceito de excesso é difícil de quantificar (para mim, comer um quadrado de chocolate preto depois de um jantar normal não é um excesso)...
Comigo resultou. Sinto-me muito melhor, essencialmente porque sinto que fiz uma mudança natural, que reverte a meu favor, não apenas fisicamente. Sinto que estou mais bonita e mais saudável, mas também sinto que estas escolhas trouxeram outros benefícios. Deixar de usar tanto o carro, optar por comprar em locais ao alcance das minhas pernas, tirar os miúdos de casa para fazermos juntos passeios ao ar livre e pique-niques na relva e ir ao parque e biblioteca locais, em vez de rumar a um qualquer centro comercial, transcende em muito o conteúdo que costumamos associar a "ficar em forma".
Estas são escolhas que, para mim, fazem sentido a um nivel mais profundo. Acho que, desta forma, estou também respeitar o ambiente e a comunidade local, além de que, vou poupando alguns cobres em combustível.
Não pretendo, com isto, dizer que as escolhas que eu fiz é que são boas. Quero apenas dizer que eu penso ter encontrado um caminho que serve para mim, com o qual me sinto bem, de corpo, espírito e consciência, e que é por isso que acho que estas são mudanças para manter, pelo menos, enquanto fizerem sentido para MIM.
Cada qual tire as suas conclusões mas creio que a óbvia é que as nossas escolhas têm de vir de dentro de nós, dos nossos próprios valores e da vida que queremos ter, porque havendo coisas que não dependem da nossa vontade e que não podemos mudar, há muitas outras que estão perfeitamente ao nosso alcance. Quem sabe se não serão estas as que podem fazer a diferença?!
Bem Ágata, sem dúvida uma longa escrita recheada de sabedoria. Não vou discutir a tua dieta proque vai ao encontro da minha filosofia alimentar mas queria somente sublinhar a importancia da pressão social sobre o ficiso. É por ser grande (em Portugal) que não me sinto bem na minha pele. Até chego por vezes a pensar que devo ser um "monstro" porque calço 41 e uma roupa normal, numa loja normal não cabo nela! Ao invés, se for ao estrangeiro (de preferencia país nórdicos) sinto-me tão bem, tão segura.
É verdade, a minha auto-estima aumenta.
Cá, escondo-me dentro da roupa. Deveria portanto trabalhar muito mais a parte interior mas confesso ainda estou longe de alcança-la!
Não há nada como estarmos bem connosco próprios!
Posted by: Diane | 11/03/2011 at 02:14 PM
Olá Diane! Que bom "ouvir" aqui a tua voz!
Estou plenamente de acordo com o que dizes. É por isso que, no post anterior, comecei precisamente por questionar esta obsessão com os quilos e a ideia mais ou menos generalizada de que toda a gente quer ser magra.
Essencialmente, acho que cada um deve procurar o seu próprio bem-estar, físico e emocional, e independentemente das suas escolhas, ser respeitado nelas.
Sob a capa do "saudável", há muito preconceito contra uma figura mais redonda.
Obrigada por deixares aqui a tua opinião!
Um abraço!
Posted by: Agata | 12/03/2011 at 11:40 PM