Esta semana, aconteceram várias coisas, na vida política deste pequeno país "à beira-mar plantado" e todas elas acabaram por me deixar um amargo de boca, que me obrigou a reflectir um pouco, para amadurecer este post.
Comecemos pelo Dia da Mulher que, mascarado pelo Carnaval, pode dizer-se que passou em brancas nuvens.
Sim, eu sei que há muitas vozes críticas que se levantam por essa internet afora contra a existência de um Dia da Mulher, porque não há um dia do homem, porque o Dia da Mulher é das feministas machonas, que são todas contra os homens! Perdoem-me a prepotência mas este é o meu espaço e dou a minha opinião, e acho essas críticas um perfeito absurdo.
O Dia da Mulher celebra a luta das mulheres em todo o mundo por iguais direitos, pela liberdade de escolher o seu destino, no trabalho, na família, na sexualidade, enfim, na Sociedade. E faz todo o sentido. Continua a fazer todo o sentido, porque o trabalho está longe de estar terminado e porque, mesmo que algum dia venha a estar, será para sempre indelével a marca deixada na História, de milhares de anos de subjugação.
Depois, a Manif da Geração à Rasca, logo seguida do PEC 327.473. É muito triste este país em que vivemos, em que mais de 200 mil pessoas vão para as ruas dizer que não estão de acordo com o rumo escolhido por aqueles que os governam, e estes, perfeitamente autistas, seguem como os três macaquinhos.
É tão mais triste, porque este é o país em que o Governo, nos últimos anos, tem delapidado, como nenhum outro, o nosso património social, em todas as frentes: na educação, na saúde, nos ordenados dos funcionários do Estado, nas legítimas expectativas quanto à idade para a reforma, no próprio valor das reformas daqueles que já trabalharam toda a vida e deveriam agora beneficiar da protecção do Estado... São tantos, tantos, os ataques aos cidadãos, como trabalhadores, como contribuintes e como beneficiários do Estado, que é impossível, neste espaço, sequer lembrar-me de todos.
É ainda muito mais triste que o discurso e a acção do Governo se tenham desligado completamente das pessoas a quem deveriam servir e se centrem numa linguagem de surdos e mudos, de números e estatísticas perfeitamente incompreensíveis para o cidadão comum, de políticos para políticos, pior, de políticos para analistas políticos.
É, sobretudo, triste que o Governo, de forma falaciosa, nos queira convencer de que não há outra opção, que nos "bate, porque gosta de nós".
E, de facto, enquanto o governo andar preocupado em ser "porreiro" para Bruxelas e em ser amigalhaço dos banqueiros (sim, os mesmos que todos os anos acabam por anunciar mais lucros do que no ano anterior), talvez não haja solução senão cortar no abono das crianças e nas reformas dos velhos.
Este é o país que não tem dinheiro para a Saúde, e fecha hospitais por critérios de eficiência, mas gasta milhões em decorações de Natal; que ainda não resolveu a seca no interior algarvio, mas que não deixa faltar água nos campor de golf. Não me entendam mal, não tenho nada contra o golf e menos contra o Natal mas penso que, quando não chega para tudo, há que definir prioridades e não vejo que algo possa ser mais prioritário que levar a água a quem não a tem, ou que se tenha acesso a cuidados de saúde quando se está doente.
Em resumo, este país deixa-me triste. Esta semana, pelo menos, deixou-me muito triste. Este é um país em que os cidadãos se manifestam, em que as pessoas vêm para a rua dizer o que querem e, principalmente, o que não querem mas também é o país que tem governantes e outras cabeças pensantes a tentar fazer-nos esmorecer, a tentar fazer-nos cair na apatia e, ás vezes, quase conseguem fazer-nos baixar os braços, ante a raiva e a impotência.
